sexta-feira, janeiro 23, 2009

Porquê História?

Há dias em que me pergunto: porquê História?

Na escola nunca a apreciei muito. Chegava a preferir Matemática, depois quando essa começou a complicar-se as coisas mudaram.
Cheguei ao 10º ano com notas não muito populares mas decidi mudar esse aspecto e empenhei-me ao máximo. Dei por mim a ser uma das melhores alunas e aplicava-me como muita gente não o fazia. Duas semanas antes dos testes já estava a marrar mesmo não tendo dado a matéria toda.
As disciplinas eram práticas, há quem pense que Artes é para gente esquesita ou que não fazem nada mas não é bem assim. Aquelas disciplinas eram muito trabalhosas e davam muito que pensar, fazer, apagar, re-pensar e re-fazer. Por entre tanta disciplina e tanto professor cativante tive uma cadeira na qual conseguia sobresair. No geral as notas não eram muito altas porque a professora era exigente, mas ai sim, tinha a certeza que ninguém conseguia competir comigo. Adorava História da Arte e ir para aquelas aulas escuras (com slides) ouvir a professora Graça Vergani, era sempre um prazer! Ela chamava-me "Giselinha" e sorria sempre que dizia o meu nome, apesar de me segredar ao ouvido quando eu pedia uma 2ª ou 3ª folha de teste: "oh giselinha não escrevas tanto filhaaaa".
Concluí o 12º ano com 17 aninhos e não sabia que fazer ou o que seguir, fui falar com a psicóloga que me perguntou qual a disciplina que eu gostava mais porque era a partir daí que devia pensar. Depois pensaríamos nas notas, médias e entrada. Passado uns tempos dei por mim com uma folha na mão a preencher as opções para entrar numa faculdade.
A primeira opção foi História da Arte na Nova, a 2ª foi HMC no nosso Iscas. Não entrei na 1ª fase na Nova e por desleixo e numa de "é destino e logo se vê", não me candidatei à 2ª fase ( e tinha entrado se tivesse concorrido).
Fiz o 1º ano da licenciatura...
Fiz o 2º...
E ainda pensava nas minhas aulas de História da Arte que tanto contrastavam com o excesso de história política no ISCTE. Mas já que estava tão avançada não era por isso que ia desistir e assim terminei a licenciatura ainda com o bichinho da Arte, Património e Cultura.
Havia dias em que pensava: porque é que escolhi isto? Se não tivesse sido História teria sido o quê? Será que tenho jeito para isto? Será que sou boa nisto? Eu nem acho piada a politiquices!
Até que recebi uma resposta no 3º ano da licenciatura e ontem mais outra.

No 3º ano na cadeira de Laboratório de História, fiz com o Frederico e com o Pedro um trabalho sobre Casas do Povo. Talvez o único que compreendeu o que senti tenha sido o Frederico, mas acho que ele não chegou a sonhar com as pessoas com quem falámos nas entrevistas (fontes orais). Eu acordava e deitava-me a pensar no trabalho. Cada dia que passava ia-me envolvendo cada vez mais e mais, ora com o trabalho, ora com os entrevistados. Nunca esquecerei esse trabalho, que foi para mim o melhor que alguma vez fiz, porque o fiz de coração e não por obrigação. Senti e sinto cada vez que penso nele, que fiz a escolha certa e que História tinha que estar no meu caminho. Não quer dizer que tenha nascido para ser historiadora, mas sinto-me bem como tal.

No meu trabalhinho faço visitas guiadas a cerca de 3 ou 4 pessoas, nunca há muitas mais. Mas ontem apareceu um grupo de 18 pessoas, estava nervosíssima, passei uma semana a pensar neste grupo gigante. Nunca gostei de falar em público e as apresentações de trabalhos nas aulas eram um sacrifício.
Por vezes contar uma anedota a 3 ou 4 pessoas e ser o alvo de toda a atenção torna-se complicado para mim. Mas ontem o discurso fluía, não me atrapalhei, não gaguejei e consegui entoar o que dizia com uma voz afirmativa, forte e sem receios de errar. Coloquei bem a voz, fui muito expressiva e consegui ver aqueles olhinhos todos a brilhar com o que ouviam, por vezes até a sorrir, apesar de terem um olhar tão triste. Demorei cerca de 1 hora, tanto como das outras vezes mas foi tudo muito mais intenso!
No final sorri e pensei: "cumpri!". Quando já me tinha despedido do grupo e de ouvir muitos agradecimentos, um senhor veio ter comido apertou-me a mão e disse "Obrigada por tudo, você foi excelente! a falar...foi excelente! muitas felicidades". Não foi a primeira vez que me disseram esta palavra: "excelente". Numa outra visita guiada a apenas 2 pessoas também me foi dita e despediram-se de mim com beijinhos e tudo. Sabe tão bem, senti-me especial e senti finalmente que talvez este seja mesmo o meu caminho e que estou a aprender e a evoluir enquanto historiadora e pessoa com ele. Até mesmo as Relações Públicas notam diferenças na minha forma de falar e de estar.

E vocês?

Sentem que nasceram para serem historiadores?

terça-feira, janeiro 13, 2009

A poesia sobre Maria C.

Certo dia fiz uma votação à minha turma da Pós-Graduação, de todas as respostas que recebi e talvez de todos os emails que alguma vez recebi, este foi o mais original. Questionei os meus colegas sobre a preferência de um exame, se preferiam um teste fácil e com consulta e presencial ou um teste em casa com 2 ou 3 dias para entregar mas mais dificil. Acabámos por fazer o exame de Marketing no ISCTE, mas auqi fica a opinião de um colega nosso, editor de uma revista conhecida e cujo nome não revelo (o sublinhado é dele).

" Olá Gisela, a minha resposta é tão simples quanto o desejo de uma criança diante de uma loja chocolates: faço tudo - até pago - para não ver quem nunca deveria ter passado do exame da 4ª classe (da antiga, nota bem). Ou seja, prefiro este desafio hercúleo de pensar em casa um ou dois dias. Preocupa-me saber é se a senhora, como os nossos testes, vai pensar sobre eles. Isso é que é um verdadeiro drama.
bjs"

digam lá que o senhor não é um génio?

Reclamação

Venho por este meio apresentar uma reclamação, desabafar...sou uma queixinhas!
Comecei a trabalhar a 13 de Nov. até hoje não recebi um centimo nem assinei contrato. Depois destes 2 meses de espera finalmente contactam-me para entregar umas papeladas, e dizem que isto demorou porque pediram verbas só para começar a trabalhar em Dezembro mas eu trabalhei no mês anterior.
Pensava que o problema estava resolvido. Fui á Divisão da Cultura onde estavam duas senhoras pela última vez, porque aquela direcção vai mudar-se para o Lumiar. As senhoras estavam todas atrapalhadas a pôr as suas coisas em caixas e não me deram atenção nenhuma, quando ia assinar uma proposta em como me propunha a trabalhar vejo que os valores estavam mal porque estou isenta de IVA, ora um novo papel teria de ser feito. A senhora disse que tinha apagado o documento no pc e não havia tempo! Mandaram-me para uma salinha e copiei todo o documento à mão. Quando lá chego dizem que falta preencher não sei o quê e que com a falta de tempo mandam para o meu email...entretanto reparo que o que escrevi tem a data de 18 de Novembro e a dizer que vou começar a trabalhar dia 20 Nov. Digo á senhora e ela responde: "Pois pois...nós sabemos mas a vereadora assinou o despacho a 18 de Nov. e agroa não há nada a fazer!". Na altura não pensamos bem nas coisas e isto passou-se, mandou-me embora e disse-me "olhe passe de novo o documento para o pc porque á mão fica feio!".
Só quando sai da Divisão da Cultura é que me senti revoltada! Então mas não me querem pagar 6 dias e uma hora extra porquê?
Sem saber o que fazer telefonei á minha colega, contei o sucedido e concordámos que isto não ia ficar assim.
Telefonámos mais tarde ao nosso coordenador e ele ficou todo chateado porque deu as coisas todas bem e ainda se enganam. A única forma que ele arranjou de nos compensar foi tirar esses 6 dias de trabalho em horas ou simplesmente tirar os dias para ir passear. Farta de passear e estar em casa vou estar eu quando acabar a exposição nao é? Preferia o dinheiro desses 6 dias!
Hoje fui á Divisão da Cultura novamente entregar a papelada mas a minha colega adiantou-se, ia eu a entrar e ela a sair e explicou-me a falta de respeito que tiveram para com ela. Disseram-lhe que o documento que enviaram por email estava mal, ao que aminha colega diz: "ahh então se é só preciso alterar aqui estas coisinhas epor o meu nome e o nif então eu vou aqui a um pc e entrego logo o papel!". Resposta: "não não leva para casa". O quê? Pois é...disseram que os computadores da divisão não davam para isso! Então se foi de lá que mandaram o documento! Não tem word querem ver?
Dito isto já nem entrei, fomos para a CML ocupamos um dos pc da recepção que as relações públicas simpaticamente nos disponibilizaram, modificámos o texto e lá fui eu novamente á divisão entregar a papelada. Chego lá pedem-me um papel das finanças! Já não bastava ter entregue o meu registo criminal mais uma quanta papelada que lembram-se de pedir á última da hora mais um papel! Enfim...
A questão que me baralha é a seguinte: deverei andar com isto ou mexer os cordelinhos e não aceitar a situação? Por um lado sinto que tenho razão, trabalhei 6 dias e quero ser paga por isso, até porque quem fica a perder é a coordenação que fica sem empregados durante 1 semana...mas...eu depois gostaria de ser contratada novamente, e se eles não gostarem que eu me revolte e pensarem que sou uma tipa que só dou é chatices?
Não sei o que fazer...lutar ou esquecer? É que se lutar são mais não sei quantos meses sem contrato e sem receber

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Grand Canyon

Por vezes somos surpreendidos pelo zaping! Mas não sei se foi este o caso, sei que o meu pai deixou ficar a tv na rtp2. Estava a dar um documentário sobre o Grand Canyon. Ao início nem dei muita atenção, estava mais concentrada a comer o bife com arroz e batatas fritas, mas como é de conhecimento geral sou género passarinho a comer, dai ser sempre das últimas a acabar.

Ora esta grande e gigantesca zona escondia para mim milhares de segredos (visto nunca me ter atrevido a pesquisar sobre ela), mas parece que ela ainda guarda mais segredo para quem a conhece bem.
Foram vários os factos que me chamaram a atenção e olhem que aminha cabeça ainda anda aqui ás voltas com tanta informação! Ainda peguei num bloco e escrevi algumas coisas de que (ainda) me lembrava. Não são informações precisas e muito descritivas mas muito curiosas.

Começo por falar do ambiente, como é obvio o Homem tinha que pôr lá as "patas" e isso está a afectar aquele espaço maravilhoso. Existem 7 "sistemas" no mundo e lá estão presentes 5 deles, há neve, deserto, selva... este sim parece-me o destino ideal para quem pretende gastar dinheiro numa viagem e quer conhecer o mundo. Lá pode disfrutar de 5 sistemas, enquanto que se viajar pelo mundo (gastando muito mais dinheiro) só conhece um de cada vez. A crise chega a todos até ás agências de viagem! Agora com este meu conselho só vão conseguir vender viagens para o Grand Canyon, porque o mundo inteiro lê o nosso blog!

Estes 5 sistemas têm espécies em vias de extinção e por isso são protegidas! Mas porque é que há tantas espécies (animais e botânicas) que se extinguem num local que parece tão sagrado? O clima muda e os sistemas mudam também. A natureza é fantástica e lá é tudo composto por um ciclo ou um processo. As espécies ou são plantadas por aves ou pelo vento, mas uma simples pegada no solo pode destruir a evolução dessas espécies, pois o solo têm uma camada de uma substância qualquer que protege o solo e a sua húmidade. Para além destas pegadas o Homem gosta de fazer estragos "naturalmente"! Ora que ideia mais parva que foram ter! Atirar moedas para fontes e pedir desejos! Esta é uma ideia parva, mas mais estúpida é ainda quando o fazem de miradouros no Grand Canyon! O que acontece? O Condor (a maior ave existente no planeta) engole moedinhas...pois...dai só haver 300 aves. O que acontece também é que os caçadores andam com espingardas que atiram chumbo, que se parte em centenas de bocadinhos ao entrar nos animais . O "condorzinho" vai todo catita comer um animal já morto e come o chumbo. Os caçadores tiram o bocado maior, mas as centenas de chumbinhos não conseguem tirar. O chumbo fica então no estômago das aves e este deixa de trabalhar, esta é a sua principal causa de morte. Felizmente os caçadores receberam o aviso de que há outro tipo de balas sem chumbo e que não prejudicam tanto os animais, eles agradeceram a informação e penso que devem seguir o conselho.

E por falar em animais, há lá uma espécie qualquer de pumas, muito rara! Em 2007 um senhor que andava a estudá-los encontrou um puma morto, levou-o para o laboratório e examinou-o, algum tempo depois morreu, porquê? Porque o Grand Canyon é o único sitio do mundo onde poderemos apanhar a Peste Negra! Sabiam disto?

Para além de toda esta actividade por entre as plantinhas e animais também existem algumas tribos. Uma delas ajudou (imagine-se só) uma equipa de arqueólogos a desvendar alguns mistérios da História naquele local através da História Oral. O grande mistério era perceber se os povos que lá viveram há muito muiiiito tempo eram nómadas ou se se conseguiam estabelecer lá. Depois de algumas escavações e de terem encontrado alguns objectos pré históricos, o representante da tribo foi ao local e conseguiu reconhecer algumas coisas dando a certeza aos arqueólogos que eram sedentários, muito em parte devido a uma "Kiva".

Agora o docinho para o fim. Gostavam de Geologia? Eu gostava muito mas não quer dizer que perceba muito porque já passaram muitos anos, mas isto aqui fascinou-me! Tão não é que há uma falha geológica no Grand Canyon? Até aqui nada de especial! O curioso não é essa falha ser no Grand Canyon, porque essa mesma falha está em todo o planeta, mas só ali é que é mais visivel. Esta não é a novidade nem a surpresa! O que me surpreendeu foi que esta falha existente no nosso planeta esconde mil milhões de anos, ou seja 20% da História da Terra. "Trocando por miudos" (não que este blog seja uma rede de crianças) estava tudo numa boa depois aconteceu qualquer coisa ao nosso planeta que nao deixou vestigio algum e que ainda escondeu as suas provas que tiveram a duração mil milhões de anos!
O que aconteceu? Ninguém sabe, chamam-lhe apenas "grande discordância", é um mistério geológico" mas quantos mais não terá o Grand Canyon para nos desvendar? Ou esconder...

A lagoa do Sherman


Foram várias as ideias que tive para escrever aqui, mas com o frio que está as ideias congelam e esqueço-me delas, já para não falar que está um frio de partir unhas!
Aqui vai então uma tira de: "A Lagoa de Sherman" do dia 7 de Janeiro. Anteriormente tinha saido uma tira a dizer que o Sherman tinha a barbatana...murcha vá...depois saiu esta que me fez lembrar muito para além de ursinhos de gomas!
Espero que gostem

sexta-feira, janeiro 09, 2009

2008

2009 entrou e entrou mal. Falo por mim. Passei a meia-noite na casa de banho. Não que tivesse algum problema intestinal, mas porque o autoclismo estava meio avariado e estava a tentar soltar a ventosa que impede a água de escoar. Quando ouvi o "9, 8, 7, blá, blá, blá, 0!!!!!!!" pensei que fosse um ensaio para a meia-noite a sério... mas pronto... lá passou.
2008 foi, de facto, marcante. Foi o ano em que conheci o mundo. Hoje, estava a tomar o pequeno almoço e pensei: "Oh! Olha lá, que tal partilhares as fotos que tiraste enquanto estiveste fora a viajar?"
Assim, aqui vai:

A minha viagem começou em Agosto, no Egipto. Estava um calor de partir. Uff...



Depois, ainda em Agosto, passei pelo Brasil. Primeiro estive no "Rio di Jáneirô", mas como era Inverno no hemisfério sul, não estava ninguém na praia.
A foto seguinte, tirei na Amazónia com um grupo de presos em fuga (por isso tinham aquela farda laranja).



Em Novembro estive nos Estados Unidos da América, onde vi o Barack Obama votar e onde, como mostra a outra foto, passei por Wall Street, tendo a hipótese de assistir em primeira mão, à queda da Lehman Brothers. Engraçado, que só depois de ver a foto, é que reparei que o Obama estava a olhar para mim aquando da foto.





Ainda nos Estados Unidos, estive em Hollywood onde assisti à rodagem de um filme. Muito simpáticos e extremamente afectivos, aquela gente dos filmes.


Ah! Por fim, deixo-vos uma foto que tirei antes de iniciar a minha viagem pelo mundo. Foi tirada em França, durante o Tour, quando o Mark Cavendish estava a cortar a meta para mais uma vitória.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

terça-feira, janeiro 06, 2009

Uma pérola

Depois de ler sobre o assunto no blog do Nuno Markl, deixo-vos aqui esta pérola:

Nomes admitidos pela Direcção-Geral dos Registos e do Notariado

Nomes NÃO admitidos pela Direcção-Geral dos Registos e do Notariado

Vou copiar-te e contar um conto.


«Queres que te conte um conto? Era uma vez um homem em cima de uma ponte.»
«Estás a rir-te? Já não te conto.»
Havia uma senhora que todas as vezes que ia arranjar o cabelo ao salão de cabeleireiro da minha mãe, contava-me esta lenga-lenga. Ora, isto durou dos meus 5 anos até para aí aos 14/15 anos... como devem imaginar houve uma altura - ali por volta dos meus 10/11 anos - em que já estava tão farto desta lenga-lenga todas as semanas, que só me apetecia "afucinhar" com a cara da "mulher" no secador lá do salão e pôr a temperatura no máximo - se calhar até era um favor que lhe fazia, já que depois disso haveria de sair de lá com um bronze indicador ou de muito tempo na praia ou de uma boa temporada na neve.

Outro conto:
Era uma vez um coelho e um cágado ou uma tartaruga ou que raio era. Ah e não era um coelho, era uma lebre (na realidade, uma lebre é um coelho "esganiçado").
Certo dia, que devia ser de Verão ou então um dia de Primavera quente - devido às peripécias em que o mamífero se viu envolvido -, o nosso amigo peludo e garganeiro, decidiu zonzoar nas orelhas inexistentes da tortuga (é assim que se diz em espanhol):

«Ah e tal és uma fraquinha! Mal podes com esse "coiso" que tens às costas! Aposto que sou bué mais rápido que tu, oh cágado!» - disse a lebre.

«Não duvido que sejas mais rápido que eu, mas deves, concerteza, saber que não podes ser mais rápido que eu em tudo. Olha, ainda no sábado comi um monte de alperces num abrir e piscar de olhos. Conseguias?» - Replicou o réptil nojento.

A lebre (que tinha o doce nome de Tobias), respondeu de volta:
«Qu'é que foi? Queres levar é? Sou mais rápido que tu numa corrida, oh cara de osga!»

A tartaruga, que não tem laços familiares com as tartarugas ninja do cinema, respondeu logo e de forma exaltada:
«Quando e onde?»

«Ali ao pé do medronheiro velho, sábado às 15h.» - respondeu a lebre Tobias.

«Eh pah! Sábado não dá porque já combinei uma partida de futebol. Olha por falar nisso, queres vir? Está a faltar um. O Lúcio diz que não sabe se vai e mais vale ir gente a mais que sempre vamos fazendo substituições.» - disse a tartaruga.

«Oh pah! Claro que vou! Fica com o meu número para depois combinarmos melhor. O número é: 96 233 233.» - mandou a lebre.

«'Tão vá! Fica combinado. Ah e olha não te esqueças que somos bichos do mato e não temos horas. Que tal a corrida ser domingo, quando o Sol nascer?» - replicou a tartaruga.

«Eh pah isso é muito cedo. "A essa hora estou bem é na caminha". Não pode antes ser lá p'ra quando a mãe pata, atravessar o ribeiro?» - perguntou a lebre.

«Pode! Claro que pode. Então vá! Até lá!» - disse a tartaruga.

O FIM.

Muitos de vós devem estar a pensar: "Oh! Queres ver que o deslavado do moço se esqueceu da parte da corrida?"
Resposta: claro que não. Só que, tal como na realidade, também no mundo animal existem "cortes". E a lebre "cortou-se" e não apareceu. Acho que foi antes jogar consola para casa do Flávio (um papa-formigas).

Os contos têm sempre uma moral e tal como La Fontaine pensou, quando escreveu este conto, a moral desta história é: quem acredita nestas tangas é parvo, porque é certo e sabido que os animais não falam. Se querem lições de moral procurem uma igreja, porque também é certo e sabido que as igrejas são as portadoras da boa moral.
No entanto, deixo-vos um conselho: trabalhem pouco, ganhem muito dinheiro, depois construam casas gigantes, invistam em arte da mais cara e dos maiores artistas do mundo, pintem tudo o que vos apetecer de dourado e andem em carros de luxo. Por fim montem um palanque alto, ponham lá um microfone e digam que têm muita pena das pessoas que sofrem em África. É o que a Igreja Católica tem feito e parece-me uma boa moral.

P.S. Antes que comecem a ter ataques de histeria, sei que os padres das paróquias pequenas ajudam muita gente e não têm assim tanto dinheiro, mas ainda assim o que escrevi é verdade.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

A cigarra e formiga

Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem se preocupar com o futuro. Esbarrando numa formiguinha, que carregava uma folha pesada, perguntou:
- Ei, formiguinha, para quê todo esse trabalho? O Verão é para aproveitar... O Verão é para nos divertirmos!
- Não, não, não". Nós formigas, não temos tempo para diversão. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o Inverno.
Durante o Verão, a cigarra continuou a divertir-se e a passear por todo o bosque. Quando tinha fome, era só pegar numa folha e comer.
Um belo dia, passou de novo perto da formiguinha que carregava outra pesada folha.
A cigarra então aconselhou:
- Deixa esse trabalho para as outras! Vamos nos divertir. Vamos formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar!
A formiguinha gostou da sugestão. Ela resolveu ver a vida que a cigarra levava e ficou encantada. Resolveu viver também como a sua amiga.
Mas, no dia seguinte, apareceu a rainha do formigueiro e, ao vê-la divertir-se, ficou zangada e ordenou que voltasse ao trabalho. Tinha terminado a boa vidinha.
A rainha das formigas falou então para a cigarra:
- Se não mudares de vida, no Inverno vais-te arrepender cigarra! Vais passar fome e frio.
A cigarra não ligou, fez uma reverência para a rainha e comentou:
-Hummm... O Inverno ainda está longe, querida!
Para a cigarra, o que importava era aproveitar a vida e aproveitar o momento, sem pensar no amanhã. Para quê construir um abrigo? Para quê armazenar alimento? Pura perda de tempo.
Certo dia, o Inverno chegou e a cigarra começou a tiritar de frio. Sentia o seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater à porta da formiga. A formiga abriu a porta e viu a cigarra quase morta de frio. Puxou-a para dentro, agasalhou-a e deu-lhe uma sopa bem quentinha e deliciosa. Naquele momento, apareceu a rainha das formigas que disse à cigarra:
-No mundo das formigas, todos trabalhamos e se quiseres ficar connosco, tens que cumprir o teu dever: tocar e cantar para o nosso reino.
Para a cigarra e para as formigas, aquele foi o Inverno mais feliz das suas vidas.

(adaptado da obra de La Fontaine)
Retirado da Revista da Junta de Freguesia de Benfica: "Benfica Viva"

(a foto é de uma formiga de Vila Viçosa, comprovando que nem as formigas alentejanas deixam de trabalhar. Esta leva um pedacinho de laranja.)

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Incapacidade mental, estupidez e pura ganância



No site da UNICEF encontramos a carta com a Convenção sobre os Direitos das Crianças. A Convenção é composta por 54 artigos que podem ser divididos em quatro categorias de direitos:

A) Os direitos à sobrevivência (por exemplo: direito a cuidados adequados);
B) Os direitos relativos ao desenvolvimento (por exemplo o direito à educação);
C) Os direitos de protecção (por exemplo o direito de ser protegida contra a exploração infantil e o direito a ser protegida dos aspectos mais negativos do mundo, que se reflictam de forma directa sobre a criança, como guerras, fome, etc.);
D) Os direitos relativos à participação (como por exemplo ter o direito de exprimir livremente e sem consequências a sua opinião)

A Convenção tem por base quatro pontos fundamentais, todos relacionados uns com os outros:

«• a não discriminação, que significa que todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial – todas as crianças, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo.

• o interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito.

• a sobrevivência e desenvolvimento sublinha a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.

• a opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.»

Ninguém é hipócrita ao ponto de pensar que em todo o mundo os direitos da criança são tidos em conta, no entanto, acredito que há muitos países que e esforçam para garantir o bem-estar dos membros mais novos da sociedade – uns com melhores resultados, outros com piores.
Actualmente apenas dois países em todo o mundo não assinaram a Convenção: Estados Unidos da América e Somália.
Obviamente que o problema dos Estados Unidos não assinarem a Convenção é apenas a imagem da mesma, já que todos sabemos que nesse país existem instituições que protegem a criança. Penso mesmo que o problema nem sequer é a Somália não ter assinado. O grande problema são todos aqueles que assinaram e que agora, nas barbas de todo o mundo ignoram completamente o documento e pior, ignoram completamente os direitos e a protecção das crianças.
Acho que é óbvio que além de serem o futuro do planeta, as crianças são as grandes vítimas de todo e qualquer conflito existem em meios sociais mais amplos ou mais restritos.
Por causa da tirania, da cegueira de poder, de riqueza ou apenas da incapacidade mental de alguns líderes, actualmente há crianças sem pais que vivem do que encontram no lixo, há crianças que são vendidas para alimentar o resto da família, há crianças-soldado, há crianças que, vivendo com a família, não têm absolutamente nada para comer, há crianças abusadas de todas as formas e há crianças no meio de conflitos armados, em que as próprias crianças, são as únicas pessoas que não têm qualquer responsabilidade e as que mais sofrem (quer seja por morte dos pais, por destruição dos meios de subsistência, quer seja pela sua morte, etc).
Todos vimos recentemente na televisão o “Estado democrático” de Israel bombardear a faixa de Gaza, dando para isso 1001 justificações – só se esqueceram que no meio dos destroços ficaram crianças, ficaram sonhos de crianças, ficaram vidas futuras…
Na Tailândia, ainda há uns poucos dias, passava na televisão uma criança sorridente que trincava um bocado de comida que a sua mãe tinha acabado de encontrar no lixo.
No Brasil milhares de crianças crescem e são obrigadas a viver como criminosas porque não têm dinheiro.
Por toda o continente africano vemos casos de crianças-soldados, de crianças a morrer à fome, traficadas…
Um avião F-16 (que serve, acima de tudo, para matar) custa cerca de 45 milhões de dólares; cada míssil Tomahawk custa 575 mil dólares; um avião EA-18G Prowler, utilizado pelos EUA, custa 100,5 milhões de dólares; um avião C-17A, 330,8 milhões de dólares.
Estes são apenas pequenos exemplos, quando todos sabemos o incrível preço da guerra. O pior é ver o quanto gastam Estados como a Índia, China, Paquistão, Sudão, Somália, etc., com a guerra, enquanto o seu povo morre à fome.
(ver: http://www.defense-aerospace.com/cgi-bin/client/modele.pl?prod=72234&session=dae.22374897.1155673461.ROItdcOa9dUAAEJP--Q&modele=feature)
Os terroristas e os grupos armados têm grande culpa em todo este processo – aliás, até nós podemos dizer que podíamos ajudar mais do que o fazemos – mas acredito que os grandes responsáveis são aqueles que podendo ajudar, firmando assinaturas em documentos de ajuda, preferem negligenciar os direitos das crianças, preferem gastar dinheiro que podia ser utilizado em medicamentos, comida, escolas, combate ao crime local, à prostituição, etc, para comprar armas para matar inimigos invisíveis, para conseguirem ganhar mais eleições e escoar produção militar e aumentar o emprego nos próprios países, quando na realidade as únicas vítimas dessas armas são os cidadãos e principalmente as crianças, que não têm culpa de nada (sim, porque os “verdadeiros” alvos dessas armas nunca são destruídos ou capturados).
Fome, crime, abuso e violência existem em países ricos e pobres, tal como é necessário controlar o crime e o terrorismo mundial. O problema é a escala e quais devem ser as verdadeiras prioridades.
E o que podemos fazer? Bom… tanta coisa, não é? Infelizmente, falo por mim, não faço nada… limito-me a mandar e-mails a chatear os governos e pouco mais.
Os fins nunca podem justificar os meios, porque é no meio que está o sector mais frágil da população mundial.

terça-feira, dezembro 23, 2008

O natal como era

Quando era pequena adorava o natal, até gostava mais do natal do que do dia dos meus anos. Não era só o dia mas todos os preparativos.
Todos os anos, eu e a minha mãe íamos àquela loja, que agora já não existe, a Prantand, e comprávamos todos os presentes. Eu gastava as minhas poupanças do ano inteiro para também oferecer prendas aos meus primos e à família lá de casa. E era muito feliz naquele dia de compras.
Para a decoração, eu e os meus primos, pintávamos folhas secas, bugalhos e aqueles ouriços secos das castanhas, depois fazíamos arranjos para espalhar pela casa. Para já não falar dos doces, cuja confecção acontecia longe das minhas mão, com grande pena minha, mas podia espetar cravinhos nas laranjas para a mesa ficar bonita e a cheirar bem. A casa estava cheia, as pessoas estavam contentes, ou a mim me parecia, comiam bebiam, riam, brincavam comigo. Era bom ter uma família numerosa: 6 pares de tios e 4 primos.
Depois do jantar, porque a espera era longa até à chegada do grande magnifico, eu fazia teatrinhos com os meus primos e o meu irmão. Obrigava toda a gente a sentar-se e a ver, ficavam todos muito contentes por sermos tão bons artistas e batiam muitas palmas.
Que mais poderia eu desejar? O pai natal, claro. Só não gostei muito quando essa tarefa calhou à minha mãe porque me disseram que ela estava na casa de banho. Eu, a chorar baba e ranho porque ela não estava ao pé de mim e não ia ver o pai natal, (disseram me que eu estava com medo mas acho que isso não é verdade), enquanto o meu primo lhe oferecia um copo de leite e bolos.
Havia tantas prendas a ser distribuídas, toda a gente a rasgar os papeis e a darem beijinhos uns aos outros. Eu recebia um monte de bonecada mais outro de roupa os meus primos também e ficávamos todos contentes a explorar as novidades até cair de sono.
Hoje é tudo tão triste que nem vou contar para não ter de pensar nisso.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Presépios em Vila Viçosa

Faço aqui um pouco de publicidade ao Museu de Arte Sacra que tem neste momento uma exposição coordenada por um colega da minha Pós -Graduação: Carlos Filipe e também de curso: Ricardo Hipólito.

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={59A766A5-4810-4631-B3FE-B0FC871BB07B}

;)

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Anedota cá das minhas...


Dois recém nascidos na maternidade:
-sabes o que é que eu descobri? sou um menino!
-ah é? como é que sabes?
-quando a enfermeira sai eu mostro-te.
Depois da enfermeira sair, ele levanta o cobertor e diz-lhe:
-olha, vês? O meu sapatinho é azul!

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Irish dinner = jantar de turma = diversão


Minha gente!

Chegou o momento! Vamos voltar a ser estudantes nem que seja por uma noite! Vai haver muita diversão e cantaria! A verdade é que já dancei algumas coisas perto de irish mas nada de muito complicado...
A ideia é a seguinte, vamos organizar um jantar de turma, para relembrar os bons momentos, por a par o presente e perspectivar o futuro de todos nós, que é a amizade eterna. Ora que coisa melhor que um restaurante e bar irlandês para vir ao de cima o nossa boa disposição? Até eu vou beber 1 irish coffee a ver se me aqueço (e que frio que tem estado).
Encontrei estes restaurantes em sites e na revista "Follow me - Lisboa". Se conhecerem alguns avisem:

  • Hennessy's - "jantar ou tomar 1 bebida com musica ao vivo e muita festa" . rua cais do sodré http://www.hennessys.com.pt/
  • irish.co--> cozinha tradicional e irlandesa. musica ao vivo, parque das nações, tb há na doca de sto amaro
  • Restaurante celtas & iberos - http://www.celtasiberos.pt/id.asp?id=p1. parece giro e até dá para pedirmos "orçamentos" dos jantares de grupo - doca de santo amaro
  • o gillins irish bar entre cais sodré e bairro alto..por ali. diz na net que foi o 1º bar irlandes em lisboa e que é mais calmo que o hennessy's apesar deste ultimo ter mais fama
  • o gillians irish pub - n tem paparoca acho eu
  • treasure land - deste só encontrei a morada e comentarios de pessoas a dizer que é um bom local de encontro e que tem a decoração gira..Rua Bartolomeu de Gusmão,
Conhecendo a nossa gente e dando a conhecer a minha opinião...não considero viável deslocarmo-nos até ás docas, visto que quem não tem carro (a maioria) é dificil de lá sair a tempo e horas para apanhar comboios, metros e autocarros.
Penso também que o Parque das Nações ficará um pouco "longe" para todos...

Agora é uma questão de começarmos a falar em datas, pessoas e escolher 1 ou 2 restaurantes para telefonar, saber preços, combinar e ir à aventura verde onde os duendes reinam (e baixinhas também lol).

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Ponte 25 de Abril ou Salazar?


É do conhecimento de alguns visitantes deste blog que fiz um trabalho na pós-graduação sobre os manuais escolares da primária do Estado Novo. Durante a busca de imagens que tentei através da internet fui dar a um site, que coloquei nos favoritos. Hoje, sem nada para fazer (ou sem vontade), fui ao dito site. Ora agora o que encontrei:


"VAMOS REPÔR O NOME
À PONTE SALAZAR
Meus amigos, vai sendo tempo de dizermos!
É urgente que as gerações não cresçam sobre a mentira;

» Se para si a verdade histórica é importante;
» Se o nome dos nossos maiores tem alguma importância histórica;
» Se a justiça é elemento importante e determinante;
»Se a verdade deve fazer parte de um Estado de Direito;


Então, lute pela verdade!

Preencha e devolva-nos o impresso"

(guardei o impresso no meu ambiente de trabalho...para alguem que o queira contacte-me)

Agora penso nos pontos.
Sim a verdade é importante, sim o prof. dr. António Oliveira Salazar foi importante, a justiça também...e lá vem de novo a verdade...sim ok. Faço o que? Assino o abaixo assinado para mudar a pontezita de nome? Não seria mais facil darem o nome "Salazar" à 3ª ponte sobre o Tejo? E vocês? O que acham disto?

Podem ver o site:

http://www.oliveirasalazar.org/default.asp

Natal sem interesses


Ia eu a caminho do meu local de trabalho...no metro, descansadinha da vida. Numa estação qualquer entram pessoas, até aqui normal. Mas eram pessoas alternativas, ora tinham brincos por sítios estranhos do rosto, ora vestidas de cor de rosa de cima a baixo. Pensei cá para os meus sapatos amarelos: "cada vez mais as pessoas têm 1 estilo próprio =)"

Nisto oiço uma rapariga a cantar, ao que os meus sapatos amarelos respondem: "já não bastava o cão pendurado no ombro dos acordeonistas e os ceguinhos rappers que ainda há cantoras!"

Ela cantava muito bem, não reconheci a música, e aquilo parecia-me tao estranho que nem dei atenção á letra. Ainda os meus sapatos estavam a suspirar quando outra pessoa começa a cantar...e outra...e outra....os meus sapatos ficaram confusos! Então mas toda a carruagem conhecia a letra da música menos eu? Durante umas duas paragens foram cantando e que melodia! UAAUUUU!
Senti finalmente o espirito natalício!
Ainda não comprei prendas e ainda não me sentia muito naquela onda, talvez por não saber muito bem onde vou passar o Natal.
Senti-me bem! Feliz por haver pessoas como aquelas, que fingiram que nao se conheciam, espalharam-se pela carruagem, sozinhas...e criaram todo aquele ambiente, sem pedirem 1 unico tostão. Agradadas por verem a nossa surpresa, as nossas expresões, caras de fadistas, caras de quem leva com o vento, sorriso a brilhar e olhos a sorrir.

Sai do metro muito mais preparada para mais uma tarde de trabalho. Quando um rapaz se dirige a mim e sem me falar espalma umas folhas na minha cara e eu pergunto que era aquilo, ele apontou para a folha e vi que era uma associação de surdos mudos. Não foi por ser Natal que dei 6 eurinhos, nem por ter ouvido aquela música no metro (apesar de isso ter ajudado), lembrei-me do meu primo com quem praticamente fui criada. Recordei o dia em que depois de ele ter visitado a Expo98 ele procurava umas moedinhas que davam no Pavilhão de Macau. Ele não as encontrava por minha casa, perguntava á irmã e ela não percebia, nem eu...nem ninguém da nossa familia. Ele desenhava e nós perguntavamos se ele queria M&M....ele na altura tinha uns 10 anos e acho que nunca o vi tao triste, chorou tanto, mas tanto porque não o compreendiamos...

Deviamos pensar mais nos outros, mas não só no Natal! E não dar uma prenda de 50€ a pensar que a outra pessoa não nos pode dar 1 prenda da loja dos chineses, porque não é justo. Esqueçam as prendas, façam os otros felizes, pensem neles na vida deles e como fazê-los sorrir.

Devo dizer que enquanto assinava o papel em como estava a dar dinheiro, eu disse-lhe meia atrapalhada por já não estar habituada a falar com o meu primo, que eu tenho um primo surdo mudo e que está na Casa Pia, ele sorriu e disse passado alguns segundos que eu era muito bonita. Fiquei com tal brilhozinho nos olhos que naquele momento nem me lembrei de como se dizia "Obrigada e boa tarde" em linguagem gestual. Fiz o que sei melhor: sorri!

domingo, dezembro 07, 2008

Diário de um azarento ou a descrição de um dia para esquecer (por um egocêntrico)

Sabem aqueles dias em que passamos a noite a sonhar com comida? Pois, ontem aconteceu-me isso. Na noite anterior estive a jogar futebol e não sai muito bem tratado do jogo, como fui dormir poucas horas depois do fim do esforço, estava com dores no tornozelo direito e por isso não dormi muito bem - passei a noite toda a sonhar com o pequeno-almoço.
Acordo todo ougado para ir comer um bom pequeno-almoço e levanto-me da cama como se tivesse uma mola enfiada no rabo. Tal não é a minha sorte quando, pegando no telemóvel para ver se tinha chamadas, vejo que são 10:39. Ora a esta hora já não podia tomar o pequeno-almoço porque depois não tinha fome para o almoço e ontem tinha mesmo de almoçar - tinha combinado ir almoçar com a minha avó. Pronto! Já o dia tinha começado mal!

Logo depois, o segundo azar do dia. Mal ponho o pé na rua vejo que tinha vindo agasalhado demais e agora ia ficar cheio de calor. Como nos últimos dias tinha estado a fazer um frio capaz de congelar a língua do Diabo, pensei que seria melhor ir bem agasalhadinho. Vesti dois pares de meias, dois pares de calças (calças de ganga e as calças do pijama por baixo - sim não tenho vergonha de assumir que faço isso quando está muito frio), uma camisola de lã e um casaco quentinho. E pronto, como não tive paciência para voltar para trás, lá fui andando para casa da minha avó com aquela roupa toda. O problema é que ainda tenho que andar um bocadinho para casa dela (cerca de 1,4 km) e o caminho tem muitas subidas. Quando lá cheguei, por ter dois pares de calças e ter começado a suar um bocadinho, tinha as coxas assadinhas - o que me fazia ter a tendência de andar "à cowboy". Triste.

Uma das características de se viver numa terra não muito grande é encontrarmos, na rua, pessoas que conhecemos. Ora ia eu com a minha mãe buscar um xarope para a minha avó que está doente, quando demos de caras com a minha tia - irmã da minha mãe. Pois bem, paramos para falar uns minutos e quando reparamos tanto a minha mãe, quanto a minha tia, estavam em cima de cocó. Que sorte!! Toda a gente sabe que pisar cocó de cão é sinal de dinheiro. Infelizmente não tive essa sorte e, claro, dinheiro nem vê-lo. Agora que escrevo estas pobres linhas, penso... vi que o euromilhões saiu a um único totalista. Se a minha tia não costuma jogar e a minha mãe joga sempre... ah! trasmalhada d'um raio! Então querem ver que foi ela que ganhou o euromilhões? Pefffe!!! Eu que tenho um cão e vou à rua com ele todos os dias, nunca piso cocó nenhum, aquele anã que me deu à luz, mal põe o pé na rua... pumbas! Ganha o euromilhões!

Como se o dia não estivesse a correr mal o suficiente, descubro que estou velho e/ou feio. É que há um homem que tem um bocado de fama de tarado e pedófilo e sempre que vê um jovem (qualquer que seja o sexo) mete-se com ele.
"Ah és tão bonitinha" ou "Está frio. Não tens frio com essa roupa?" - é o tipo de conversa do homem. Mas é que ele se mete com todos os jovens! De criancinhas a mais velhos.
Pois bem, ontem passo por ele, olho-o bem e penso: "Ah que o meu dia vai animar com um elogio". Ele passa por mim, olha-me e... segue em frente!! Nem me diz nada!!! Portanto, ou estou velho demais para os padrões tarados dele, ou simplesmente não sou atraente para ele!! Não é que queira ser atraente para ele, mas pronto... percebem, ?
Mais tarde, chego a casa e penso: "Devia ir fazer um post que ando para fazer há uns dias, no meu blog Pensar com a Língua (n.a. - tem link)."
Devia fazer este post, porque há um mês atrás lancei uma sondagem no blog a perguntar que foto os meus leitores queriam ver publicada num post futuro. Infelizmente houve dois vencedores dessa sondagem: uma foto com piada e uma foto de um homem ... Ou seja tinha de ir fazer uma pesquisa de homens nús, o que, como podem imaginar, não me agradava muito.
Mas ter um blog obriga a alguns sacrifícios e assim, lá comecei a minha sondagem. E, quando estava a fazer a pesquisa, ... ai ... dei de caras com a pilinha do Brad Pitt! Blargh! Infelizmente, neste preciso momento aparece o meu irmão. Muito apressadamente tento fechar a janela, mas falho. Ele viu-me a olhar para o Brad Pitt . Felizmente ele é muito reservado e não tocou no assunto, mas a verdade é que mal me falou o resto do dia. Lá fechei a janela e acabei o post antes de fazer este.
E pronto, assim se passou um dia cheio de tristezas. Partilho convosco para me fazer de "tadinho" e lançar a minha carreira como futuro-tadinho-da-TVI.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A minha terra

A minha terra é Lagos. Lagos é um concelho do Algarve que faz fronteira com os concelhos de Vila do Bispo (Ocidente), Aljezur (Noroeste), Monchique (Norte) e Portimão (Este). Com uma população de cerca de 30 mil residentes fixos, a minha terra apresenta uma das populações mais variáveis de Portugal (como todo o Algarve) variando entre os 30 mil na época baixa e os quase 80 mil habitantes na época alta - isto refere-se às pessoas que têm uma segunda habitação cá.
O concelho tem seis freguesias: Santa Maria, São Sebastião, Nossa Senhora da Luz, Ódeaxere, Bensafrim e Barão de São João.
O Presidente da Câmara chama-se Júlio Barroso, é do PS e vai agora concorrer ao terceiro mandato.
Chegar cá é fácil. Podem cá vir dar de barco, carro, comboio ou avioneta. Lagos é servida pelas Estradas Nacionais 125 e 120, pela Auto-estrada 22 (A22) e é a estação terminal da Linha Ferroviária do Algarve. Existe ainda um aeródromo que está com os dias contados, já que este irá ser substituído por outro maior, a construir em Bensafrim (segundo se diz), que servirá os concelhos de Lagos e Portimão e poderá albergar aeronaves de maior dimensão. Existe também uma Marina e uma doca.

A minha terra, Lagos, que agora aqui apresento, é composta por duas freguesias: Santa Maria e São Sebastião.
Com uma ampla baía e banhada pela Ribeira de Bensafrim (ou Rio de Lagos), foi daqui que saíram grande parte das expedições a África e foi aqui que foi estabelecido o primeiro Mercado de Escravos negros da Europa. A cidade foi fundada por volta de 2000 A.C. e por aqui passaram imensos povos, como fenícios, cónios, cartagineses, gregos, romanos, árabes e, claro, cristãos.
Durante as Guerras Púnicas, Lagos foi o primeiro acampamento de Cartago contra os Romanos. Aqui se travou uma batalha entre Quinto Sertório (desertor romano) e Quinto Caecilius Metellus Pius. Mas pronto, aposto que ninguém está a ler esta parte de seca (se estiverem, estão muito arrependidos, certo?).
(Fast-Forward)
Foi em 1255 que Lagos passou a fazer parte de Portugal e foi de cá que partiram as tropas portuguesas para a conquista de Ceuta em 1415. Entre o século XV e 1755, Lagos foi a capital do Algarve e foi também de cá que saiu D. Sebastião para a fatídica batalha de Álcacer-Quibir. Historiadores ingleses referiram-se a Lagos como o Cabo Canavral das descobertas (para quem não sabe o Cabo Canavral é um dos locais mais importantes da exploração espacial). Assim, Lagos intitula-se como Cidade das Descobertas.
Com o terramoto de 1755 e consequente tsunami, ficou quase tudo destruído e de então para cá a cidade tem vindo a tentar reerguer o esplendor e pujança de outrora.

O que visitar?
Aconselho: as ruas antigas da cidade (sempre com muita animação todo o ano), a Igreja de Santo António (uma das grandes obras de talha dourada de Portugal), a Ponta da Piedade, as Muralhas da Cidade (que envolvem o núcleo antigo da cidade e começaram a ser construídas pelos romanos), a estatuária (estátuas do Infante D. Henrique, D. Sebastião e Gil Eanes), a Mercado do centro, o Mercado dos Escravos, o Forte Ponta da Bandeira, as ruínas do Forte do Pinhão. Aconselho também a um passeio a pé entre as praias dos Estudantes e a Praia do Porto Mós, sempre junto à costa (asseguro que é espectacular e muito divertido - embora cansativo) e a outro passeio entre as praias do Pinhão e da D. Ana, por dentro de água (envolve um bocadinho de natação entre alguns pontos, mas é muito bonito e cheio de vida aquática) ou uma caminhada na Meia Praia.
Haveria muito mais coisas que vos podia aconselhar a visitar e muito mais que podia contar (o golf, as praia, as igrejas, museus, bares, restaurantes, etc.), mas não vos quero maçar e o resto fica para vocês descobrirem.
AH! Esqueci-me de dizer as três coisas mais importantes da cidade! Eu (se eu tiver tempo na agenda, deixo-me fotografar com os turistas), o salão de cabeleireiro da minha mãe (vão lá cortar, pintar e esticar o cabelo) e o bar do meu irmão (vão lá beber um sumo, uma água ou outra coisa eheheh) e pronto já fiz a publicidade!

Por fim, aqui ficam umas fotos.

O Mercado dos Escravos
















A Porta do Mar da Muralha (actualmente esta zona está toda em obras devido ao Programa Polis)















Vista da Baía




















Praça Luís de Camões

















Convento das Freiras
















Parte antiga da cidade com Meia Praia ao fundo - é meia de nome, porque se costumava chamar Praia de S. Roque à outra metade, mas depois isso caiu em desuso e agora é só meia... embora tenha cerca de 5km


E por fim o D. Sebastião do Cutileiro (com o imitador à frente)


















Podia ter posto muito mais fotos e ter falado de muito mais, mas o resto das fotos venham vocês cá tirar!
E pronto já fiz um post enorme! Aposto como fez com que o vosso PC levasse mais tempo a abrir a página!

Desafio



Bom, hoje decidi desafiar-vos. Motivado por imensos desaguisados, embirrações e pelo último post da Gisela, gostaria de propôr que cada um de nós (quando falo em nós, falo de todos os que podem publicar posts aqui no blog) apresenta-se a sua terrinha aqui no blog. Pode não ser o local de nascimento, mas aquele lugar em que nos sentimos em casa, o lugar que mais nos diz e com que mais nos identificamos. Que tal? Aceitam o desafio? Não é para provar qual é o melhor: não há melhores, apenas diferentes.
Ok... Começo eu...